sábado, 13 de outubro de 2012
Posted: 06 Oct 2012 06:51 AM PDT
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Reservar algumas horas ou minutos do dia para simplesmente fazer nada é um verdadeiro presente para o cérebro, segundo artigo publicado na Perspectives on Psychological Science. A psicóloga e educadora Mary Helen Immordino-Yang, da Universidade do Sul da Califórnia, relata os resultados de pesquisas recentes, que mostram que o descanso da mente, seja fazendo uma caminhada sem horário definido para terminar ou espreguiçando-se no sofá, sonhando acordado, favorece a criatividade e a capacidade de resolver problemas.
Quando a mente se dispersa, a rede neural de modo padrão (DMN, na sigla em inglês), isto é, os circuitos cerebrais que se “desligam” durante tarefas que exigem foco no ambiente externo, se torna mais ativa. Estudos relacionam a DMN à introspecção, a pensamentos internos, à imaginação do futuro, à recuperação espontânea de memórias, à divagação e ao surgimento de soluções criativas. Segundo Mary Helen, a noção de “preencher o tempo” com tarefas de todo tipo – como navegar na internet ou ver TV por horas a fio – atrapalha a dispersão natural do cérebro.
A cultura “antiócio” pode prejudicar principalmente os mais jovens, afirma. “A reflexão, o hábito de olhar para dentro, não é incentivada no ensino tradicional. Ela é essencial para construir memórias e conferir sentido aos acontecimentos, assimilar valores morais e digerir o que foi aprendido”, diz, apontando pesquisas que mostram que crianças motivadas a desfrutar o tempo livre têm menos problemas de ansiedade, melhor desempenho escolar e demonstram mais capacidade de planejar o futuro. “Em vez de ser visto como perda de produtividade, o tempo livre pode ser encarado como oportunidade de reflexão construtiva, o que é essencial para retirar aprendizado de experiências vivenciadas”, diz a psicóloga.
domingo, 19 de agosto de 2012
Atenção é o segredo da memória
Debate. Memória foi o tema do último Encontros O GLOBO SAÚDE e Bem-Estar; especialistas deram dicas para melhorar o desempenho da memória e fizeram testes com o públicoPAULA GIOLITO
Dos jovens aos mais velhos, é raro encontrar alguém que não reclame de esquecer coisas importantes, seja um livro recente, uma palestra, um compromisso ou um comunicado. A tendência é achar que há problemas de memória. A boa notícia é que, na maioria dos casos, não há nenhuma deficiência no funcionamento do cérebro. O indivíduo só precisa estar mais atento, focar em suas atividades, além de sempre exercitar a mente. E mais, o esquecimento é um processo absolutamente natural, que faz parte do aprendizado do ser humano. É o que garantiram especialistas que participaram da quinta edição dos Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar, na última quarta-feira, sobre a memória.
— Na maioria dos casos, quando não há uma doença, o problema de memória é, na verdade, um problema de atenção — afirmou a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ.
Com o advento da internet, uma das dificuldades do mundo moderno é lidar com a enxurrada de dados e imagens, segundo o cardiologista Cláudio Domênico, coordenador do evento, que citou o autor americano bestseller Nicholas Carr.
— Uma das frases dele é que “a mente linear, focada, sem distrações está sendo expulsa por um novo tipo de mente que quer e precisa tomar e aquinhoar informação em surtos curtos, desconexos, frequentemente superpostos, quanto mais rapidamente, melhor”. Realmente, hoje há um excesso de informação e a internet tem aquela história de surfar, a gente não se aprofunda — criticou.
A neurologista Carla Tocquer concorda que a internet distrai e aconselhou a focar em apenas um assunto:
— É preciso engajar a atenção, estar presente no agora. Aquele comportamento da internet de passar de um assunto a outro, acaba sendo nocivo à memória. Como posso melhorar o registro? Se estiver 100% presente, disponível no momento, amanhã quando eu quiser me lembrar do dia de hoje vai ser muito mais fácil.
A ideia da internet como vilã, porém, não é aceita como argumento por Suzana Herculano-Houzel.
— É muito fácil colocar a culpa na internet. Não existe informação demais hoje. Sempre existiu informação demais para o cérebro da gente, desde o início dos tempos. O problema é que o cérebro só consegue prestar atenção em uma coisa de cada vez — defendeu.
A construção da identidade
Muito além de apenas um sistema de armazenamento de informações no cérebro, a memória está ligada ao aprendizado e é responsável por definir a identidade de cada um, por mudar o cérebro conforme as experiências.
— O cérebro aprende, muda, faz diferente, isto é memória. Há a mudança do comportamento por causa das experiências anteriores. Perder a memória quer dizer passar pela vida em branco. Seu cérebro não registra o que aconteceu, e é como se nada tivesse acontecido ao seu redor — afirmou Suzana.
A neurocientista também explica que a memória é um processo físico, que envolve mudanças de conexões do cérebro, que são as sinapses, onde os neurônios trocam informações uns com os outros. Até a década de 1950, acreditava-se que o indivíduo já nascia com um número estabelecido de sinapses. Hoje se sabe que novas sinapses são criadas e outras, perdidas, ao longo da vida.
— Uma parte importante do aprendizado é de remoção daquilo que não serve, do que não funciona. Mas ao mesmo tempo, aquelas sinapses que servem para alguma são fortalecidas. Enfraquecer ou fortalecer uma sinapse quer dizer, essencialmente, diminuir ou aumentar o impacto que um neurônio tem sobre o seguinte. É um processo de lapidação, a memória é a escultura que fica.
Não existem pílulas milagrosas
A capacidade de aprendizado na infância é maior do que na idade adulta, assim como é mais comum o idoso ter queixas de perda de memória do que o jovem. Mas uma série de pesquisas lança otimismo em relação ao envelhecimento do cérebro, e aponta para a possibilidade de recuperação da memória se ela for estimulada, por exemplo, com exercícios físicos e com o hábito da leitura frequente.
Por outro lado, há fatores que influenciam negativamente na memória humana, e acabam por agravar os efeitos do tempo. Álcool e outras drogas, depressão, alimentação inadequada, assim como algumas doenças e deficiências nutricionais.
Técnicas para melhorar a memória tiveram espaço de destaque durante o debate, assim como o alerta para comprimidos que se dizem milagrosos e que prometem melhorar o desempenho cerebral:
— Há uma pílula que acabou de sair chamada Cognizin, está à venda por R$ 69,99. Para quem adora vitamina, é uma ótima maneira de fazer um xixi mais caro, não serve para absolutamente nada — comentou Domênico.
Segundo ele, não há fórmula mágica: ler, boa alimentação e exercícios são as melhores formas de desenvolver o cérebro. Já Carla Tocquer deu outra dica:
— O relaxamento vai deixar a pessoa mais disponível e a meditação vai ajudar não só no registro como no armazenamento da informação.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/atencao-o-segredo-da-memoria-5829926#ixzz2412KbA39
sábado, 18 de agosto de 2012
Parkinson
| Rafael De Assis Fonoaudiologia | 15 de Agosto de 2012 07:50 |
PRECOCE
Mal de Parkinson atinge pessoas jovens
por MARTA ASSUMPÇÃO
via Rafael de Assis
Mal de Parkinson atinge pessoas jovens
por MARTA ASSUMPÇÃO
via Rafael de Assis
Quando o ator norte-americano Michael J. Fox revelou no mês passado que sofre de parkinsonismo, a surpresa foi geral. Afinal, não era de se esperar que um astro de cinema, Fox protagonizou "De Volta Para o Futuro" e o seriado "Spin City", admitisse, publicamente, ser portador de um mal que afeta o sistema nervoso central, é progressivo (pode deixá-lo sem andar ou sem falar) e incurável. Da perspectiva médica, a surpresa se deu por outra razão: pela raridade da ocorrência deste mal em pessoas com menos de 55 anos, Michael Fox tem 37 anos.
Segundo Henrique Ferraz, 41 anos, professor de neurologia clínica da Universidade Federal de São Paulo, a incidência do mal de Parkinson na faixa de 30 a 40 anos é baixíssima e "corresponde apenas a 5% ou 10% dos casos". Michael Fox é um caso atípico, que os médicos incluem no chamado "grupo de exceção".
Em entrevista à revista "People", no mês passado, o ator disse que sua doença foi descoberta quando ele tinha 30 anos. Foi durante uma gravação da comédia romântica "Doc Hollywood", em 1991, que Fox percebeu pela primeira vez que havia "alguma coisa errada". "Um dos dedos da mão esquerda começou a contrair sem querer". De lá para cá as coisas pioraram bastante. Mas em março deste ano, Michael Fox foi submetido a uma cirurgia no cérebro que eliminou "quase completamente" seu pior sintoma da doença: um tremor violento do lado esquerdo.
O caso do ator mostra que ninguém está livre de contrair esta doença, cujos sintomas principais são tremor (em repouso), hipocinesia (movimentos mais lentos) e hipertonia (rigidez muscular). A estimativa mundial é que surjam 20 novos casos de parkinsonismo por 100 mil pessoas, por ano. Nos Estados Unidos, cerca de um milhão de pessoas têm a doença e, destes, apenas 10% ocorrem em pessoas com menos de 40 anos. No Brasil, não há estatística oficial, mas estima-se que existam entre 160 mil e 320 mil pessoas portadoras da doença.
DEFINIÇÃO - Luiz Celso Vilanova, 48 anos, neurologista infantil e professor da Escola Paulista de Medicina, explica que a doença de Parkinson (que é sinônimo de mal de Parkinson) precisa ser diferenciada da síndrome parkinsoniana. "Quando se discute a doença de Parkinson fala-se de uma predisposição geneticamente determinada; a síndrome parkinsoniana pode ter causas variadas", diz o médico.
Apesar de o gene causador de alguns casos da doença de Parkinson, que representam apenas uma pequena porcentagem dos pacientes (de 1% a 5%), já ter sido isolado, o fator genético como determinante da doença não é de grande importância.
Na maioria dos casos, a causa do parkinsonismo não é conhecida, embora seja provável que estes indivíduos estiveram expostos a algum tipo de agressão, como traumatismo craniano e substâncias tóxicas (como o manganês e alguns inseticidas), ou tiveram alguma infecção forte (como encefalite) em fases precoces da vida. Os sintomas parkinsonianos apareceriam como resultado destas agressões, que podem causar uma perda na população de neurônios que se situam em uma região do cérebro chamada substância negra.
Esta perda de neurônios em fases mais precoces da vida pode não parecer tão crítica. Porém, com o passar dos anos, soma-se à perda neuronal própria do envelhecimento e podem, então, surgir os sintomas parkinsonianos. Por isso, a manifestação destes sintomas é mais comum para indivíduos com mais de 50 anos. No paciente mais jovem, a síndrome parkinsoniana resulta geralmente de exposições (a medicamentos, substâncias tóxicas ou infecções) que bloqueiam ou destroem a ação de, pelo menos, 80% dos neurônios deste indivíduo em um espaço de tempo mais curto.
Segundo Egberto Reis Barbosa, 50 anos, neurologista do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da USP, quando estas agressões ocorrem, a redução da população de neurônios pode atingir o ponto crítico, "que é de 80% de perda; isso faz com que haja a eclosão da doença". O normal é que um indivíduo que nunca sofreu agressões à substância negra sofra, a partir dos 30 anos, uma redução de 10% da população de neurônios, por década. "Quando esta queda atingir apenas 20% da porcentagem normal de neurônios surgem os sintomas parkinsonianos", diz o médico.
O cérebro de um paciente com um número menor de neurônios (independentemente da causa que pode levar o indivíduo ao parksonismo) produz menos dopamina, um neurotransmissor envolvido no controle dos movimentos do corpo. Por isso, o tratamento dos que sofrem de parkinsonismo volta-se à reposição da dopamina, com medicamentos à base de levodopa, um precursor da dopamina fabricada sinteticamente.
TRATAMENTO - O problema destes pacientes é que após cinco ou dez anos de tratamento, este medicamento pode provocar complicações sérias como movimentos involuntários que não são do Parkinson, como é o caso da dona-de-casa Gislene Aparecida Rossi de Godoi, 42 anos, ou "distúrbios psiquiátricos como alucinações ou delírios", diz Egberto Reis. Nos casos em que controle destes sintomas não é mais possível só com medicamentos, o médico pode indicar a cirurgia para tentar aliviar os sintomas do paciente.
Via de regra, cirurgias são praticadas apenas nos pacientes adultos, que contraíram o mal de Parkinson propriamente dito. Segundo o neurologista infantil Luiz Celso, "a função das cirurgias nas crianças, que geralmente tem outras manifestações clínicas associadas à síndrome, são ainda motivo de pesquisa", por isso ela ainda "não é indicada para estes casos que são muito raros".
A cirurgia é baseada no fato de que a falta de dopamina provoca um desarranjo em um circuito importante do cérebro onde uma parte das células funciona demais (ficam hiperativas) enquanto outras funcionam de menos (ficam hipoativas).
Neste caso, "a cirurgia visa destruir células hiperativas para tentar resgatar um funcionamento mais adequado do circuito", diz Henrique Ferraz. Mas como lembra Egberto Reis, o ideal seria reparar ou repor os neurônios lesados.
Apesar de todos os avanços na medicina, as tentativas de regeneração ou reposição das células cerebrais através de diversos procedimentos (como medicamentos ou cirurgia) "ainda não tem sido bem sucedidas", diz o médico.
Embora se saiba muito pouco sobre a incidência do uso de drogas (ou de qualquer outra causa) na ocorrência do parkinsonismo, uma pesquisa norte-americana da década de 1970 sobre um grupo de jovens californianos com menos de 30 anos que desenvolveram a síndrome parkinsoniana em poucas semanas comprovou uma correlação entre aqueles que consumiram um tipo de heroína (misturada a uma substância química análoga a meperidina, a MPTP) com a síndrome.
Apesar deste ser um tema que ainda requer mais investigação, é razoável dizer que os usuários de drogas pesadas (como a heroína misturada ao MPTP, ou o êxtase turbinado que está atualmente sendo fabricado na Inglaterra) fazem parte de um grupo de risco que pode vir a desenvolver alguns sintomas do parkinsonismo no futuro. Sabe-se, contudo, que Michael J. Fox não fazia parte deste grupo. Parece que o ator nunca consumiu drogas, nunca sofreu traumatismo craniano e jamais esteve exposto a substâncias tóxicas. "No meu caso sobrou apenas aquela coisa: o destino", disse Fox à "People". "Sou aquele cara que o destino decidiu tocar", completou.
DESCOBERTA - O mal de Parkinson foi descrito, pela primeira vez, em 1817, quando um médico inglês que deu o nome à doença, Dr. James Parkinson, relatou os seis primeiros casos da doença. Naquela época a descoberta não registrou muito interesse provavelmente porque, sendo baixa a expectativa média de vida, a ocorrência da doença era rara. A medida em que a longevidade foi aumentando, o número de casos foi crescendo, e quanto mais se avança em idade, maior a chance de se ter a doença. Hoje se sabe que 1% da população do mundo, acima de 60 anos, são portadores da doença.
Luiz Celso Vilanova, 48 anos, neurologista infantil e professor da Escola Paulista de Medicina, explica que a doença de Parkinson (que é sinônimo de mal de Parkinson) precisa ser diferenciada da síndrome parkinsoniana. "Quando se discute a doença de Parkinson fala-se de uma predisposição geneticamente determinada; a síndrome parkinsoniana pode ter causas variadas", diz o médico.
Apesar de o gene causador de alguns casos da doença de Parkinson, que representam apenas uma pequena porcentagem dos pacientes (de 1% a 5%), já ter sido isolado, o fator genético como determinante da doença não é a principal preocupação dos médicos.
Na maioria dos casos, a causa do parkinsonismo não é conhecida, embora seja provável que os pacientes estiveram expostos a algum tipo de agressão, como traumatismo craniano e substâncias tóxicas (como o manganês e alguns inseticidas), ou tiveram alguma infecção forte (como encefalite) em fases precoces da vida.
Os sintomas parkinsonianos apareceriam como resultado dessas agressões, que podem causar uma perda na população de neurônios que se situam em uma região do cérebro chamada substância negra. Esta perda de neurônios em fases mais precoces da vida pode não parecer tão crítica. Porém, com o passar dos anos, soma-se à perda neuronal própria do envelhecimento e podem, então, surgir os sintomas parkinsonianos.
No paciente mais jovem, a síndrome parkinsoniana resulta geralmente de ações que bloqueiam ou destroem os efeitos de, pelo menos, 80% dos neurônios deste indivíduo em um espaço de tempo mais curto.
Segundo Egberto Reis Barbosa, 50 anos, neurologista do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da USP, quando essas agressões ocorrem, a redução da população de neurônios pode atingir o ponto crítico, 80% de perda.
O normal é que um indivíduo que nunca sofreu agressões à substância negra sofra, a partir dos 30 anos, uma redução de 10% da população de neurônios por década. O cérebro de um paciente com um número menor de neurônios (independentemente da causa que pode levar o indivíduo ao parkinsonismo) produz menos dopamina, um neurotransmissor envolvido no controle dos movimentos do corpo.
Por isso, o tratamento das pessoas que sofrem de parkinsonismo volta-se à reposição da dopamina, com medicamentos à base de levodopa, um precursor da dopamina fabricada sinteticamente. O problema é que após cinco ou dez anos de tratamento, este medicamento pode provocar sérias complicações, como movimentos involuntários que não são do Parkinson.
DEPOIMENTOS - A dona de casa Gislene Aparecida Rossi de Godoi, de 42 anos, descobriu que sofria de mal Parkinson quando tinha 38 anos. "Comecei a sentir um tremor tão grande no braço esquerdo que eu não conseguia nem escrever com o direito. Depois de uns sete meses de martírio, um neurologista me deu Sinemet (remédio que se transforma em dopamina no organismo) e eu melhorei. Só que agora o remédio já começou a provocar efeitos colaterais."
Segundo Gislene Aparecida, sua perna estica sem ela querer e faz movimentos involuntários. "Ultimamente o meu médico está falando em cirurgia, mas tenho medo. A gente nunca sabe do resultado de uma operação dessas", diz a dona de casa. As Cirurgias são praticadas somente nos pacientes adultos, que contraíram o mal de Parkinson propriamente dito.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Células Tronco
Butantan usa células-tronco do dente de leite para curar cegueira
Instituto Butantan testa a cura da cegueira em quem teve lesões na córnea, com células retiradas do dente de leite.·O estudo está na fase de testes com seres humanos.··
São retiradas células-tronco da polpa do dente de leite, aquele que cai naturalmente nas crianças, na hora de nascer a dentição definitiva.·Elas são coloradas ao redor das córneas que sofreram doença genética ou queimaduras, permitindo a cicatrização.·
Sem o tratamento, a córnea danificada fica opaca e há perda de visão, segundo informou a coordenadora do Laboratório de Genética do Butantan, Irina Kerkis.·A polpa do dente de leite é recoberta por uma espécie de lente feita de um material semelhante à placenta.·
A partir daí ela se adapta a essa célula e devolve a visão ao paciente.· A grande vantagem dessa técnica é que não é preciso fazer cirurgia, apenas a aplicação do material no olho.·
Os testes, aplicados em um grupo de pacientes voluntários, devem demorar seis meses. Dando tudo certo, a técnica já pode ser usada em todas as pessoas que apresentam esse problema nas córneas.
sábado, 4 de agosto de 2012
Excelente texto!!!
Os donos de Goiás
Fabrícia Hamu
Fabrícia Hamu
Fonte: http://www.aredacao.com.br/coluna.php?colunista=35#.UBOjYCdzBD8.twitter
Sábado encontrei com um jornalista de Brasília que, ao me cumprimentar, já foi logo dizendo: “Puxa, mas a máfia do Cachoeira tomou conta da sua terra, hein? São os donos de Goiás!”. Não é a primeira vez que escuto esse comentário de quem vive fora do Estado sobre os recentes escândalos de corrupção envolvendo pessoas daqui. Também não é a primeira vez que discordo dele.
Sinto muito, colega jornalista, mas Goiás pertence aos goianos. E ser goiano não é para quem quer, nem para quem se autointitula, é para quem pode e faz por merecer. Para ser goiano não é preciso nascer em Goiás, mas é indispensável honrar este Estado, lutar por ele, amá-lo de verdade e não envergonhá-lo. É imprescindível não abrir mão da decência e da honestidade.
Goiás é do professor Altair Sales, que à frente do Instituto do Trópico Subúmido da PUC-Goiás produz pesquisas incansáveis sobre o Cerrado e alerta para sua extinção iminente. É do fotógrafo João Caetano, que transforma cada pedaço desse bioma em arte e beleza. É do aposentado Corivaldo Ferreira que, mesmo paraplégico, não deixa de regar todos os dias, no Conjunto Itatiaia, os ipês, jatobás, carobas e sibipirunas.
Aos médicos que transformam o Estado em referência de excelência em suas áreas de especialidade; aos que atuam na rede pública, lutando contra a falta de infraestrutura e os baixos salários, e aos idealistas, como Danilo Maciel, que no Hospital de Medicina Alternativa mostram que a natureza pode ser uma enorme prateleira de medicamentos, é que pertence o nosso Estado.
Goiás é da equipe do Centro de Valorização da Mulher (Cevam), que acolhe e conforta centenas de vítimas de violência doméstica. É de Ana Motta, que por meio da Asdown luta pela inclusão das crianças com Síndrome de Down. É da advogada Chyntia Barcellos, que com sua atuação incansável na área de Direito Homoafetivo ajuda a combater o preconceito aos homossexuais e transexuais.
São goianos o cineasta Pedro Novaes, que com sua Sertão Feelmes mostra que se pode ir além, muito além de coisas banais como “E aí, comeu?!”; a equipe do Coletivo Cine Cultura, que com o Cinealmofada prova que a experiência de ir ao cinema pode ser muito mais acessível e agradável do que se imagina; a dupla Márcio Júnior e Márcia Deret, que com obras como “O ogro” mostram que animação é coisa séria.
Goiás é das equipes da Monstro e da Fósforo Cultural, que com seu apoio às bandas e seus festivais mostram que o Estado é lugar de rock de qualidade, sim senhor; é dos artistas do Estúdio Bicicleta Sem Freio, que com suas ilustrações provam que criatividade e talento não faltam por aqui; é da Quasar Companhia de Dança, que encanta o Brasil e o mundo com seus movimentos sutis e intensos.
O Estado pertence à gente como os membros do Pedal Goiano, que lutam por políticas públicas que garantam a mobilidade urbana com uso de energia limpa e mostram que sustentabilidade não é discurso, é prática. Pertence ao grupo Vida Seca, que também segue o preceito de que atitude é tudo e leva arte e educação ambiental a crianças carentes com o projeto “Lixo Ritmado, Batuque Reciclado”.
Também são goianos de verdade os católicos que ajudam a combater a desnutrição infantil, os evangélicos que levam conforto e auxílio aos pacientes carentes nos hospitais e os espíritas que distribuem alimento para as pessoas que dormem ao relento. São goianos os ateus que, apesar de não crerem em Deus, creem nos homens e ajudam aqueles que estão em situação de vulnerabilidade social.
Goiás é dos professores da rede pública, que enfrentam as precárias condições de trabalho e insistem em levar conhecimento aos estudantes. É dos alunos que desafiam o cansaço de quem precisa estudar e trabalhar ao mesmo tempo, mas ainda assim não abrem mão de se formar. É também daqueles que não puderam estudar, mas fazem questão de aprender com a vida.
São goianos aqueles que geram emprego e renda, que tratam seus colaboradores com respeito; aqueles que trabalham incansavelmente, ainda que por um salário mínimo mensal ou menos que isso, sem desistir da meta de viver honestamente; aqueles que lutam por melhores condições de trabalho para a coletividade, que não nos deixam perder de vista que um mundo mais justo e igualitário é possível.
São goianas milhares de outras pessoas cujos nomes, felizmente, não caberiam nesse espaço. Aqueles que vivem em Goiás apenas para levar vantagem são os falsos filhos da terra. Hoje estão aqui, mas amanhã podem estar na Suíça, nas Ilhas Cayman ou em qualquer outro lugar que lhes seja mais conveniente do ponto de vista financeiro e do tráfico de influência. Esses não fazem história, fazem escândalos.
É a essa gente que leva arte, alegria, saúde, educação, alimento, conhecimento, qualidade de vida e dignidade aos outros, não porque vai enriquecer com isso, mas porque entende essa tarefa como sua missão de vida, que Goiás pertence. Talvez o grande problema seja o fato dessas pessoas não fazerem valer sua autoridade. Como donos de Goiás, está na hora de mostrar quem manda de verdade por aqui.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Marca-passo no cérebro será testado contra obesidade
MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO
Usado há quase duas décadas no controle dos sintomas da doença de Parkinson, o marca-passo cerebral será testado pela primeira vez no Brasil para obesidade mórbida e depressão.DE SÃO PAULO
A esperança é adicionar mais uma opção ao arsenal de tratamentos, como medicamentos e cirurgia.
As pesquisas serão desenvolvidas no Centro de Neurociência do HCor (Hospital do Coração) em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do IEP (Instituto de Ensino e Pesquisa) do hospital.
Dois neurocirurgiões brasileiros que acabam de voltar ao país depois de uma longa temporada nos EUA serão os responsáveis pelos estudos.
Professores de neurocirurgia na UCLA (Universidade da Califórnia), Antonio De Salles e Alessandra Gorgulho têm vasta experiência na área.
O grupo de pesquisa do qual fazem parte realizou estudos para o tratamento da depressão com essa técnica. E ambos já desenvolveram pesquisas com a estimulação elétrica cerebral em primatas e suínos para tratar a obesidade mórbida.
"Trata-se de uma ferramenta útil e poderosa que está sendo usada cada vez mais em outras áreas. Com o advento da tecnologia, o potencial de crescimento é enorme", afirma Gorgulho.
Ela diz que no Canadá há uma linha de pesquisa que estuda a técnica para mal de Alzheimer e o próprio casal já fez estudos em animais para o tratamento de estresse pós-traumático.
COMO FUNCIONA
No tratamento da doença de Parkinson e outros distúrbios do movimento, eletrodos são inseridos no cérebro e ligados a um marca-passo colocado sob a pele.
Por meio de impulsos elétricos, os sinais do cérebro que geram tremores e rigidez muscular são inibidos. O tratamento é reversível.
| Editoria de arte/folhapress | ||
| Eletricidade na cabeça Modulação da atividade cerebral ajuda no tratamento de doenças |
Pela primeira vez, os eletrodos serão implantados sob a pele nesse nervo e conectados a um marca-passo para tratar a depressão. A pesquisa deverá ter 22 participantes.
Para a obesidade mórbida o objetivo é implantar eletrodos cerebrais em uma área responsável pela saciedade em seis pacientes que não obtiveram sucesso com a cirurgia bariátrica.
"Também será a primeira vez que os eletrodos serão implantados nesse alvo do hipotálamo para obesidade. A ideia é verificar segurança e viabilidade", diz Gorgulho.
Segundo Henrique Ballalai, da Academia Brasileira de Neurologia, um estudo como esse faz bastante sentido porque há áreas do cérebro que controlam o apetite.
"Mas tem que ter um grande comprometimento; não se pode pensar que isso poderá ser usado para estética", diz.
Otávio Berwanger, diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa do HCor, diz que a pesquisa visa uma nova alternativa para os pacientes com obesidade avançada que falharam com todas as opções de tratamento.
Ele ressalta, porém, que se tratam de pesquisas iniciais, que devem ter início em 2013. Apesar de a técnica cirúrgica ser segura e conhecida, é necessário que os estudos apontem que ela também é eficaz para essas novas aplicações.
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